fotografia analógicas sobre papel de fibra de cana-de açúcar
29,7 x 42 cm, 2025, Curitiba-PR
"Quantos poemas são necessários para se queimar um país?"
Trata-se de uma série de obras artísticas em produção, na qual reflito sobre masculinidades, corpo, desejo, memória e materialidades atreladas às questões asiático-brasileiras, dentro do recorte da experiência nipo-brasileira no contexto contemporâneo. Para tanto, tenho indago uma dezena de outros rapazes nipo-brasileiros, em trocas de correspondências, a respeito de suas vivências, especialmente sobre como pensam sobre o desejo, a rejeição, os afetos e a memória neste processo de identificação, ou não, enquanto sujeitos racializados. São profissionais de áreas diversas, desde o campo artístico até as ciências exatas, entre 20 e 60 anos, de diversas sexualidades. Neste processo, também coloco em palavras e registro meu relato. É curioso pensar como estas narrativas se colidem, se esbarram, se desencontram e se encontram novamente em uma trama tecida de dores, prazeres e principalmente, de lembranças. Tenho buscado articular estas reflexões a partir das materialidades, em obras produzidas com o uso da fotografia analógica, digital, da colagem, da experimentação no campo da arte têxtil e da performance, juntamente da parceria com a fotógrafa Jessica Brunning.
Do título, vem da inspiração que tive com o término de uma relação entre amigos, também nipo-brasileiros, envolvidos em um suposto triângulo amoroso, em que todos os envolvidos escreveram poemas sobre o ocorrido, cada qual trazendo seus sentimentos de revolta, dor, indulgência e lamentos sobre como os laços afetivos não são garantidos. Estão sujeitos a serem rompidos, apesar da questão racial.